[Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. -1 Coríntios 13:13]

*escrita no dia 25 de janeiro de 2017 para minha mãe

Baby.

Era assim que o meu pai te chamava, e é assim que você será lembrada por todo mundo que, de alguma forma, acompanhou e ficou aqui para testemunhar a história de vocês.

Baby.

Talvez essa seria a primeira palavra que você ouviria hoje ao acordar. Ele te chamaria assim, já a postos com um vaso bem grande de flores. Poderiam ser lírios. Ele gostava de te dar lírios. Ele achava delicado e instigante como a antera (aquela parte marronzinha na ponta da flor) ficava quase suspensa e balançava ao menor toque do vento, como se fossem cair a qualquer momento.

Uma das várias lembranças que eu tenho com ele é das idas à floricultura para te presentear. Nunca foi do tipo ‘Moça, me vê um buquê de rosas aí bem bonito’ e pronto. Técnico como o conhecíamos, meu pai avaliava cor, durabilidade, mas não deixava de se preocupar com o principal: ‘Será que a mãe vai gostar desse?’; ‘E esse outro? É mais bonito?’. Eu amava esses momentos em que o via decidindo por girassóis ou orquídeas imaginando qual você gostaria mais.

Baby.

Hoje vocês completam Bodas de Prata. E digo no presente, porque é difícil desvincular algo que não acabou, e sim foi interrompido. Acho que não precisamos mudar o tempo verbal por enquanto, assim temos a oportunidade de celebrá-lo em dias como hoje, momento em que, 25 anos atrás, com o cabelo longo solto todo ondulado (inclusive a franja) e diante de uma igreja cheia, você disse sim (na saúde e na doença), sendo fiel em todas as circunstâncias.

Baby.

Você foi fiel. Vocês tiveram um casal de filhos, abriram um negócio juntos, compraram uma casa do jeito que queriam e andaram de Harley-Davidson aos domingos de manhãzinha para ter o gostinho de tomar café em outra cidade (e sentir a liberdade vinda daquele momento em que eram só vocês e o vento na estrada). Vocês realizaram sonhos, passaram por apertos, riram das coisas que não eram como pareciam ser (tipo quando ganharam uma taça de sobremesa embrulhada numa caixa de aparelho de fondue) e mantiveram as metas alinhadas e os dois pés firmes no chão.

Baby.

Vocês foram um casal consistente e eu só posso me considerar (no mínimo) muito sortuda por ter tido a chance de ter o exemplo de como o amor deve ser – para mim, para os outros, para você.

Baby.

Não tenha medo de amar. Você inspirou (e inspira muitas pessoas) sendo uma quase ‘romântica incurável’, dessas que a gente vê em filme. Não tenha medo de amar.

Baby.

Eu gostaria de fazê-la sentir-se amada especialmente hoje, em que você seria acordada com flores e talvez um cartão bem bonito e um abraço com aquele tapinha de leve nas costas que ele sempre te dava.

Baby.

Vocês foram plenos, e nada vai mudar. Talvez essa tenha sido mais uma daquelas histórias que a gente assistiria em filme e se orgulharia de ter visto algo assim. Ou passaria anos sonhando com algo parecido. Então olhe para você mesma com carinho e generosidade, e tenha alegria pelo que foi construído.

Baby.

Nós te amamos. E desejamos que, desses 25 anos completos (e pelos próximos anos até o fim da vida) haja amor. Aquele que você conhece.

Baby.

Você é e sempre será.

[Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. -1 Coríntios 13:13]