motorbikeA estrada oferece infinitas possibilidades de desbravar a vida e a visão sobre os caminhos percorridos. Através de sensações, curvas, sentimentos e rotas demarcadas.

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Talvez você já saiba, mas eu me formei em jornalismo pela PUC-Campinas em 2015. Como trabalho de conclusão de curso, optei pela produção de um livro (junto com a amiga Pri Geremias) de fotografia e entrevistas sobre mulheres envolvidas com o hobby do motociclismo, mais especificamente pilotos e garupas da Harley-Davidson.

O processo de escolha e desenvolvimento do tema partiu da ideia de mostrar o empoderamento da mulher através de uma atividade que, geralmente, é mais ‘explorada’ e divulgada entre o meio masculino. A afinidade com a Harley-Davidson também é uma influência do meu pai, que sempre foi apaixonado por motos de alta cilindrada, principalmente da marca (pela história e tradição), e dividiu muitos momentos comigo na estrada, pilotando sua Road-King branca (enquanto eu, fascinada, observava tudo da garupa).

A seguir, divido um pouco da minha experiência com o jornalismo e o processo de desenvolvimento do projeto.

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Tema

O livro “Ladies – paixão das mulheres pelo motociclismo” – que nasceu com o objetivo de revelar, através de imagens, as particularidades das mulheres que possuem o motociclismo como hobby – tem o propósito de contribuir para a reflexão da presença representativa das mulheres em ambientes naturalmente masculinos, e seu comportamento diante ao engajamento com essas atividades. As mulheres têm ganhado cada vez mais espaço no motociclismo, e correspondem a 27% dos habilitados na categoria A em todo o Brasil, de acordo com o anuário de 2015 da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo).

capa

Formato

O apelo à imagem, quando se trata de mulheres e motociclismo, é muito forte. Por isso a fotografia. Era preciso mostrar as aparências. Mas também era necessário explicá-las – para desmistificar ou mesmo explicar estereótipos construídos.

Dividido em cinco partes – Estrada, Mulher-Máquina, Estilo, Grupo e Eventos – o livro busca complementar a visão e as perspectivas das mulheres envolvidas com a cultura da estrada, que não deixa de incluir alguns aspectos da vida particular e de demais hobbies dessas personagens.

Além disso, cinco mulheres têm um pouco de suas histórias contadas em textos mais longos, denominados perfis. Nestes textos, foram exploradas diferentes personalidades e uma paixão em comum: a pilotagem.

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Reflexões

Eu acredito que ambas, as mulheres e as máquinas, são uma mistura de detalhes complexos, cheios de histórias e sentimentos relacionados. Por isso, é preciso estar atento para captar tudo o que se diz através do subjetivo que envolve esses dois elementos – que pode ser o vento no rosto, a sensação da liberdade, a relação do poder de estar em cima de uma motocicleta potente e a leveza de viajar em volta de paisagens bonitas na estrada. Mas que pode ser, também, sensações além dessas, como a superação de um medo ou a realização de um sonho. As descobertas, durante o percurso (em que se explora a relação da mulher com as máquinas), são múltiplas.

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Dificuldades

Por que só mulheres? O motociclismo é um hobby – geralmente – mais explorado entre o público masculino. Era preciso, então, romper e discutir com os estereótipos formados ao longo do tempo, para entender o papel da mulher em ambientes que – por escolha própria de lazer, atuação e afinidade – devem ser delas também.

Jornalismo ou Publicidade? A escolha de abordar apenas mulheres ligadas à Harley-Davidson, à primeira vista, pode soar publicitário demais para um trabalho jornalístico, mas a abordagem do livro se deu muito mais pelas histórias das mulheres, do que pela escolha da marca (na história delas). Como a ideia era retratar apenas motocicletas de alta cilindrada, a Harley-Davidson surgiu como uma referência e tradição em máquinas custom.

Como expressar (todas) as emoções em um livro? Textos não trariam a precisão dos detalhes que precisavam – literalmente – ser mostrados. O apelo à imagem e aparência das motocicletas e mulheres era fundamental. Por outro lado, a imagem não supriria toda a riqueza de experiências e emoções descritas durante as entrevistas. Por isso, o livro se estruturou no ‘casamento’ desses dois recursos.

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Lições aprendidas

  • É preciso entender a sucessão dos fatos que trouxe a personagem até seu estado atual, porque em tudo – pessoas, lugares, criação, costumes – há influência
  • É preciso abrir mão do conforto, das ideias iniciais e de tudo que já se sabe para suprir o público com um conteúdo relevante, diferente e humanizado
  • É preciso encantar-se pelo novo – pelas possibilidades de encontrar referências, aventuras e caminhos ainda não descobertos

 

Você possui algum hobby que te traz empoderamento? Qual? Escreva para mim: just-carol@uol.com.br