Demorei algum tempo para entender o ‘lance’ do estilo. Demorei a entender que poderia me divertir com a moda e que ela estaria do meu lado – a meu favor – desde que eu entendesse uma regra clara: eu é que tinha que mandar nela. Fui mais leve quando aceitei que não precisava ‘comprar uma tendência’ que todos a minha volta estavam usando. A gente se torna mais leve. Hoje em dia, quando ouço falar em ‘moda’, não tomo como perda de tempo ou futilidade. Semelhantemente ao que faria se me perguntassem sobre um primo ou colega, digo ‘a moda vai bem!’, porque eu é que construo a minha.
A minha prima Aline (foto) me ajudou a entender um pouquinho disso tudo. Sempre teve estilo e escolhas próprias, bem singulares. Hoje em dia, se você procurar no meu guarda-roupa e no dela, vai ver uma série de peças iguais – embora a gente nunca as use de forma semelhante. Isso é estilo. É juntar coisas [referências, épocas, tecidos, cores]; Formar outras. A Aline tem um street style que me surpreende: parece ter nascido em Londres; É capaz de misturar pena com estampa tie-dye, salto e lantejoula [não tente isso em casa] e se sair bem. Eu? Sou clássica. Aposto no preto e branco, na estampa de bolinha e em blazer. No arroz com feijão.
O meu look do dia (o do fim de semana) é *apenas* um exemplo de que, apesar do estilo mais clássica e romântica, também posso ‘brincar’ com outros estilos. Ser mais ‘Aline’, menos fechada. A moda é apenas uma sugestão de diálogo. Conhecendo o nosso corpo e sabendo equilibrar as coisas [vejam o meu caso: acessórios pretos e a combinação dos tons entre jaqueta e blusa. Vejam o caso da Aline: calça e bota preta, menos chamativos do que a parte de cima do look] podemos construir diálogos diferentes e deixar nosso estilo ter várias vozes. Por que deixar de tentar? A essência tem que ficar em você. Isso, ‘look do dia’ nenhum pode tirar.
Calça; Botinha; Jaqueta laranja: Emme/ Regata de caveira crochê: UQBAR (comprei na GetDress)/ Bolsa: Steve Madden
Não — o que estamos tentando fazer é imaginar se todas as pessoas naquele dia vão ‘entender’ o que estamos usando; se estamos ‘transmitindo’ a mensagem certa em uma conversa cheia de nuances. Porque a moda é apenas uma sugestão de diálogo — como aqueles discursos de padrinho de casamento que a gente baixa na internet. As mulheres supostamente devem apresentar sua versão personalizada disso. Nós supostamente devemos falar do fundo do coração com o que vestimos. (Caitlin Moran, trecho do livro ‘Como ser mulher’, página 159)