Março não vai embora. E talvez era isso que ela precisasse para esperar que a vida fosse mais longa – como ele.

Março não acaba nunca mais, ela disse. E teve pena que algumas coisas não durassem tanto quanto março. Deve ser por causa do prefixo, ‘mar’, ela pensou. E riu pela associação boba enquanto esperava que algumas coisas nunca tivessem fim, como os ‘mares’ de lembranças que março trouxera. Era de se esperar que a vida que ela sonhava estava longe daquela rotina exaustiva, e não podia deixar de esperar pelo mar – talvez algum dia moraria bem próxima dele. E talvez nunca precisaria desejar que as coisas acabassem, porque ali, à beira mar, ainda que ela não desse conta, as coisas seriam mesmo eternas. Como as tardes em que passaria desatenta à todo o resto que não fosse sua liberdade de gastar uma tarde inteira dedicada à ele: ao mar. Ao eterno. Aos marços que podem não ser meses – podem representar outras coisas – mas que seriam intermináveis. Era dia de maré alta – na vida dela. E passou a esperar pelos dias em que não olharia calendário algum porque todos os dias seriam de Março. E tudo que seria bom, haveria de ficar. Como o mar. Como Março.

O que você espera que nunca vá embora? Como é a sensação do ‘eterno’ para você?