nodeA deficiência de uma geração de pessoas que desistiram do ordinário para embarcar em sonhos inconsistentes e relações frágeis

 

Em um mundo de subcelebridades e digital influencers, quem tem privacidade é o quê? Alguém quer privacidade? Para onde é que foram as felicidades ditas ‘simples’? Quem é você quando ninguém está vendo? O que faz longe da câmera frontal do smartphone?

A felicidade é simples mas, se vier com likes, melhor ainda. Estamos nos desintegrando dela. Do ordinário. Das relações fluídas. Da simplicidade. Do arroz com feijão. Desvinculamos, desde que uma série de números – views, curtidas, inscritos, compartilhamentos – começaram a valer grana, status e pose. E a plateia que assistia a tudo isso desejou ser igual a eles. Ninguém quer servir. Mataram-nos o sonho de sermos pessoas normais.

Mudaram uma série de fórmulas existentes. Que tipo de profissionais passamos a ser com uma geração entusiasmada em virar famosa, ter mais likes, comprar seguidores? Que tipo de tolerância construímos para nossas próprias carreiras quando olhamos às viagens extraordinárias de bloggers que promovem grandes marcas? Quais perspectivas encontramos em nossa simplicidade de ter chefe, fazer reuniões às segundas-feiras, cumprir hora extra, ter férias contadas e bater metas no final do mês?

Tornamo-nos mais exigentes aos detalhes sem antes aprender a segurar (para nós mesmos) alguns princípios primitivos. Vou fazer um café passado em casa ou vou postar aquele outro mais famosinho? Vou comprar uma bolsa ou oferecer publi post? Devo indicar produtos por dinheiro ou experiências reais? Que preço vou pagar por ser eu mesmo (e tentar dividir meu melhor ou agradar os meus patrocinadores)?

Às vezes, nos deixamos levar por sonhos que não nos pertencem – quando olhamos para uma geração cool, que lida com uma série de liberdades, desconstruções e poderes gerados por sua audiência. Todos desejam falar. Mas a voz não foi dada a todos. Alguns, que não conseguem ser ouvidos, se frustram. Outros, procuram cada vez mais ‘ouvidos’ para consumirem seus discursos.

Não sei se paramos para nos ouvir com a mesma frequência que ouvimos nossos seguidores.

De repente vamos ficando, assim, meio automáticos. Consequentemente muito fantasiosos. Frágeis. Passíveis de sermos quebrados pelos feedbacks negativos ou números despencando.

Acho que, seja qual for o seu seguimento – o seu ambiente de trabalho ou o quanto é depositado na sua conta – a vida é mais difícil do que as nossas causas pequenas de vaidade. Trabalhando com YouTube ou num escritório comum, a vida é mais dura. Exige firmeza. Pede que tenhamos mais consistência. Demanda felicidades ditas ‘mais simples’.

E isso é para mim. Isso é para blogueiros que me inspiram. Isso é para amigos que querem ser famosos. Isso é para aqueles que ainda não chegaram aonde gostariam em suas carreiras. Isso é para que lembremos de nos questionar constantemente. Isso é para buscarmos nossa essência. Isso é para aprendermos a ser mais humildes. Isso é para sermos sim, de vez em quando, APENAS pessoas ordinárias.

Arroz com feijão é uma delícia.

Como você tem lidado com os seus objetivos mais secretos?