“As pessoas vão se aproveitar de você”
“Isso não vai te levar a lugar nenhum”
“Você vive no mundo da lua. Só você mesmo!”
“E quando é que você vai pensar em você mesma?”
“Isso é burrice, pare de ser boba ou você vai sofrer muito na vida”

O que siginifica ser uma pessoa boazinha

O bem, para mim, sempre esteve atrelado a pessoas, ações e modelos de personalidades generosas, humildes, sábias e pacíficas. Mas esta definição ainda não é a mais apropriada, nem tampouco sustentável. Há muito mais, porque as pessoas, ações e modelos de personalidades são mutáveis e precisam ser analisadas através de uma referência.

O que é bom para mim pode não ser para você.

Como resolvemos essa questão? Apesar das nossas diferenças, geralmente concordamos em algo. No caso, poderíamos elencar os fatores que integram, ou ajudam a entender, o bem (ainda que a nossa percepção referente à amostragem varie).

Por que podemos concordar com algumas teorias sobre o que é “o bem”?

Há um conjunto de qualidades transmitidas ao longo do tempo e da experiência que geram uma consciência coletiva sobre “o bem”. O respeito, o amor e a empatia são exemplos.

Por que podemos discordar com algumas teorias sobre o que é “o bem”?

Dentro da subjetividade do “bem” há complexidades que determinam a construção dos valores para cada um. A interpretação (ponto de vista ou contexto), as sensações (causadas por lembranças) e as bagagens da vida (educação, hábitos e cultura) são exemplos.

Reflexão sobre 'pessoas boazinhas' e a sua influência sobre as outras pessoas

Com a minha mania de captar os detalhes, e refletir sobre eles, tenho conseguido enxergar “o bem” em muitos lugares. Apesar dos desafios diários e dos pesos vitais, “o bem” tem se mostrado muito mais sutil. E a gente se choca com a praticidade porque não nos damos conta de que, muitas vezes (e sem perceber), complicamos uma série de acontecimentos que deveriam ser (mais) simples.

Com isso, a condição ou disposição de “ser uma pessoa boazinha” — que é diferente de ser burro, ingênuo ou fantasioso — tem se tornado cada vez mais clara (para mim) de que nunca será um problema e nem tampouco uma fraqueza. E a gente se choca com a compaixão das pessoas porque nem sempre estamos acostumados (ou preparados) a recebê-la.

O que siginifica "ser uma pessoa boazinha" e por que os outros veem isso como um problema?

“Bonzinhos” acabam sendo, no fim das contas, aqueles que detém de uma força interna grande o bastante para manter sua inteligência emocional atenuada de frustrações, choques internos e externos e pressões, equilibrando as próprias energias às condições (pessoas, personalidades, ambientes, reações e atitudes) à sua volta.

Isso não os livra, é claro, de experimentar vez ou outra suas próprias fraquezas e limitações; mas os torna exemplos de pessoas que vão além da generosidade — nos mostrando que “boazinhas” são as pessoas (também) humildes, conscientes e maduras. Que passam por seus próprios problemas e têm a capacidade de se importar com os demais. Que convocam suas emoções “extras” para lidar consigo e com os outros. Que mantém a fidelidade de seus valores e não se esquecem daquilo que as impulsionam. Que inspiram, aonde estiver, outras pessoas a serem mais “boazinhas” como elas são.