01 --

É importante que, independente de onde você esteja na escala dos sonhos, da carreira e do futuro que você planejou, de vez em quando você pare para se questionar: o que realmente importa?

Durante a semana, muito se falou sobre uma modelo australiana de 18 anos, considerada “digital influencer”, que excluiu mais de duas mil fotos do seu perfil de instagram (@essenaoneill, agora desativado) e, nos clicks que restaram, editou legenda por legenda para contar os fatos “por trás das câmeras”.

A modelo era seguida por 700 mil pessoas. Em suas publicações, era frequente a prática dos “publi posts” (fotos patrocinadas), principalmente com marcas de biquinis e chás. E o que muitas vezes parecia ‘sutil’, nas fotos, como um momento na praia ou curtindo a piscina, era apenas uma propaganda bem produzida.

Após a decisão de ‘desmascarar’ os fatos, o perfil passou a ser chamado “Social Media Is Not Real Life” (Mídia Social Não É A Vida Real). O conteúdo das legendas editadas revelou as produções das fotografias, as publicidades não sinalizadas e os ‘esforços’ para vender um estilo de vida na rede social — por vezes ‘maquiado’ — que não correspondia com a realidade. (mais detalhes sobre a história dela aqui)

Essena O'Neill

Essena O’Neill, modelo australiana

*Após a polêmica das legendas editadas no instagram, Essena excluiu o perfil na rede social e criou o site ‘Let’s be game changers

O que a modelo talvez tenha se questinado, para que essa atitude tivesse sido tomada, foi o impacto que esse ‘lifestyle’ causava nos seguidores e, mais do que isso, nela mesma. Sem perceber, e de uma maneira muito inocente, ela construía alguns valores ao passar uma sensação / informação / imagem na rede social.

O que realmente importa?

Como era de se esperar, muitas críticas foram disparadas em reação à postura da modelo.

Entre as negativas, destaco as principais:

Sério que vocês acreditam em tudo o que veem no instagram?

Vai dizer que não podemos mais publicar fotos bonitas e com ângulo, luz e edição planejados?

As pessoas querem ver e guardar momentos felizes. Ninguém quer saber de ver as coisas tristes, não é mesmo?

Não, não é nada disso.

A questão não é incentivar as pessoas a publicarem seus momentos felizes ou a se tornarem mais críticas quanto ao conteúdo que consomem da internet e das redes sociais. Claro que isso é importante. Mas isso já vem acontecendo gradualmente.

O que talvez seja mais urgente do que falar ‘encontre momentos felizes’ é ‘encontre momentos reais’. Momentos reais. E depois você decide o que fazer com ele: postar, guardar para si, explicar em detalhes em uma mídia ou trancar a sete chaves.

O que realmente importa?

O que realmente importa

A ilusão criada por uma série de fatores que acreditamos ser importantes pode nos travar. A busca pelo corpo perfeito, pela beleza impecável, por uma vida cheia de viagens e festas e restaurantes maravilhosos pode nos iludir e também iludir quem nos acompanha (quando escolhemos expor esses aspectos).

Note que a questão, portanto, não é buscar / postar / promover a felicidade. É antes dela. É — antes de encontrar / postar / promover a felicidade — viver momentos reais. É pensar se, dentro de uma foto, de um pensamento ou de um comentário, estamos sendo fiéis aos nossos valores e às nossas verdadeiras aspirações — sem o medo de pensar que eles (os nossos momentos reais) podem não ser exatamente como a sociedade espera que sejam. Sem perdermos o nosso tempo pensando ‘Devo publicar ou não?’. Vamos, primeiro, vivê-los simplesmente.

Ninguém está pedindo para acreditarem em tudo o que veem nas redes sociais.

Ninguém está pedindo para deixarem de postar suas fotos bonitas.

Ninguém está pedindo para pararem de fazer posts patrocinados.

Talvez o que a modelo tenha se questionado, sobre a sua própria vida e sobre a vida das pessoas que a acompanhava e eram de alguma forma ‘influenciadas’ pelas postagens, tenha sido uma pergunta bem simples, mas transformadora.

O que realmente importa?

Carolina Barboza
Carolina Barboza é uma jornalista apaixonada por palavras. Tem mania de ver criatividade e delicadeza nas coisas. Nas mais simples. Persistente e curiosa, resolveu criar o Just Carol para compartilhar tudo o que ficava guardado dentro da alma e do coração.