[E então, na aula de Ciências, ouvi um nome: ‘Estrela’. Virei-me para o aluno do último ano que andava atrás de mim. ‘Estrela?’ Perguntei. ‘Que tipo de nome é esse?’. -página 12]
Título: A extraordinária garota chamada estrela
Autor: Jerry Spinelli
Editora: Gutenberg
Número de páginas: 192
Classificação pessoal: ♥♥♥♥♥ (excelente)
É fácil pensar em quanto a nossa rotina pode ser estritamente monótona: dias cheios de mesmas pessoas, mesmas atividades, mesmas metas – sempre igual. No meio disso tudo, nós encontramos (assim espero) algumas surpresas: pessoas diferentes, atividades diferentes, metas diferentes que podem revolucionar a maneira como vemos a vida – ou, sendo mais realista, apenas nos dar um olhar mais abrangente (fora do nosso quadrado!) sobre as coisas. Pessoas-estrelas são assim: raras, capazes de balançar nossa rotina. Não é tão fácil encontrar esse tipo de gente; Não aparecem em qualquer esquina… E, quando aparecem, quase nunca estamos preparados – podendo, assim, gerar estranhamento em nós por sua presença. Eu tinha de admitir: quanto mais eu a via, mais fácil era acreditar que ela era uma farsa, uma piada, qualquer coisa, menos real. (página 16)
Estrela é assim, rara. A começar pelo nome… Criada e educada desde novinha pelos pais, surpreende a todos da Escola de Ensino Médio de Mica (quando começa a estudar em uma ‘escola de verdade’) por suas particularidades: nome diferente, roupas coloridas e chamativas, o rato de estimação e o modo de interagir com as pessoas. Nós queríamos defini-la, etiquetá-la como fazíamos uns com os outros, mas não conseguíamos ir além de ‘esquisita’, ‘estranha’ e ‘patética’. O jeito dela nos tirava do eixo. Uma única palavra parecia pairar no céu sem nuvens sobre a escola: ahn? (página 19) Estrela, sempre muito comunicativa e sociável, disparava perguntas aleatórias nas aulas, gentilezas surpreendentes que mais pareciam uma ‘invasão de privacidade’ às pessoas e ainda tocava ukulele no intervalo. Ela compôs uma canção sobre triângulos isósceles. E cantou-a para sua turma de geometria plana. O título era ‘Três lados eu tenho, só dois são iguais’. (página 19)
A narrativa é contada por Leo Borlock, aluno da mesma escola de Estrela. Isso – o fato de ele falar sobre a personagem principal – traz detalhes e reações diversas (dele mesmo e de outras pessoas) que não seriam possíveis se o livro fosse escrito na Estrela em primeira pessoa. Ele participa e interage com as variadas ‘fases’ de humor dos alunos e colegas à sua volta desde a chegada da garota rara na escola: a descoberta, o estranhamento, a popularidade de EstrelaNaquela época, a maioria havia decidido que gostava de tê-la por perto. Ficávamos ansiosos para ir à escola, para ver que esquisitice ela aprontaria. Ela nos dava assunto para comentar. Ela nos entretinha. (página 33)
Como água e óleo, algumas pessoas não se misturam. Destacam-se. E, como eu disse ali em cima, isso pode gerar estranhamento – mas pode ser *também* um baita presente a nós. ‘A extraordinária garota chamada estrela’ me prendeu pela narrativa diferente (e claro!) pela personagem autêntica e maravilhosa. Ela era fugaz. Ela era hoje. Ela era amanhã. Ela era o aroma mais suave da flor de um cacto, a sombra fugidia de uma coruja marrom. Nós não sabíamos o que fazer com ela. Em nossa mente, tentávamos fixá-la em um quadro de cortiça como uma borboleta, mas o alfinete simplesmente se soltava e ela voava para longe. (página 24). Algumas pessoas são estrelas… Por que não deixá-las iluminar as nossas vidas? Esse livro me iluminou. ♥
Vocês conhecem alguma pessoa-estrela?
Ela era uma luz flexível: brilhava em cada esquina do meu dia. (Jerry Spinelli, trecho do livro ‘A extraordinária garota chamada estrela’, página 114)