toolNum momento em que se clama pela voz e afirmação à autenticidade das (muitas) personalidades e dos direitos de cada indivíduo, a moda que fala diretamente a um público específico tem o privilégio de trabalhar com o empoderamento e a inclusão de várias camadas da sociedade [gerando oportunidades de carreira e negócio]

 

“Vestir uma pessoa é permitir que ela se sinta inteira”, disse a Estilista, Consultora de Moda, Blogueira e Modelo Plus Size, Débora Fernandes, em evento realizado pela Butique de Cursos Ana Vaz e Tendere na última sexta-feira (29). O encontro “Moda de Nicho” reforçou a importância de utilizar mecanismos e recursos – em acabamentos, tecidos, recortes e tecnologia (além de reunir esforços) – para incluir necessidades específicas de muitos públicos, tais como deficientes, gestantes, noivas e plus size.

cabides

Débora, que atende a este último segmento, acredita que “amor próprio, informação e bom senso são fatores essenciais para mulheres com estilo”. No último ano, o segmento Plus Size movimentou 5 bilhões de reais no Brasil, mas ainda há muito espaço para crescimento. De acordo com a estilista, a moda que consegue favorecer as diversidades permite o empoderamento e a conquista da própria pessoa ao ‘se encarar’ com mais confiança.

O evento também destacou os esforços trabalhados em outros segmentos – as estampas criativas da premiada Luciana Haddad, as coleções ousadas para noivas da Natally Fernandes (da ‘Siq Atelie’), o business da moda de segunda mão (brechós) por Brígida Cruz, proprietária do brechó ‘Que Chuchu! Moda Vintage’ e professora de História da Moda, além do trabalho superbacana da Theresa Rachel em sua ‘Escola de Autoconhecimento para Mulheres’, entre outros.

Moda de Nicho - Just Carol

Em todos os debates – que mostraram caminhos possíveis para a moda expandir enquanto negócio e oportunidade de inclusão para as pessoas, sendo um serviço e direito ao cidadão – as reflexões convergiram para dois elementos bastantes presentes na ‘Moda de Nicho’: a autonomia e a autoestima.

É esperado que, se a moda fornece adaptações e soluções para as necessidades específicas, seu público atendido passe a desenvolver orgulho e confiança de pertencer a determinado grupo, ao mesmo tempo que também se sente cuidado por uma ‘moda’ que promove a diferença, desenvolve funcionalidades e não deixa de pensar em estilo enquanto forma de expressão (ou melhor, de tantas expressões possíveis).

cabides

Sendo clichê: há muitos desafios pela frente. Mas trabalhar com a moda – que é ‘linguagem e armadura’ para as pessoas se comunicarem ao (e com o) mundo – é buscar tecnologia, inspiração, tendências e esforços para favorecer a diversidade, e lembrar que as frentes de trabalho se mostram muito mais amplas e específicas do que um simples corpo ou público ‘convencional’, que já é atendido pela maior parte das grifes e marcas.

Se você trabalha ou é empreendedor neste segmento, se prepare para encarar os desafios envolvendo qualidade de produto e empoderamento de um público que se mostra cada vez mais autêntico e plural (ou seja: encontre um nicho, estude-o muito e foque com força total nele!). Se você é consumidor, seja mais exigente (em relação às suas necessidades) e fique de olho nas tendências. Afinal, “vestir uma pessoa é permitir que ela se sinta inteira” e só. Independente de quem seja essa pessoa.

Qual nicho da moda você gostaria que ganhasse mais atenção?